Relatório Gerencial SNEL11 de fevereiro de 2026
Relatório Gerencial do Suno Energias Limpas IS (SNEL11), fundo imobiliário de fundos (FoF), referente a fevereiro de 2026, com entrega no FundosNet (B3) em 31/03/2026. No pregão de 03/11/2026, a cota do SNEL11 fechou a R$ 7,38, com P/VP de 0,92 (valor patrimonial de R$ 7,99 por cota no informe mensal de setembro de 2026). O último rendimento foi de R$ 0,10 por cota, com pagamento em out/2026, e o dividend yield dos últimos 12 meses é de 14,91% sobre a cotação de 03/11/2026. O patrimônio líquido era de R$ 1,8 bilhão no informe mensal de setembro de 2026. Os indicadores são os mais recentes da base do Kartac, não os do período do documento.
Informações
- CNPJ
- 43.741.171/0001-84
- Tipo
- Relatórios
- Assunto
- Relatório Gerencial
- Data de referência
- 27/02/2026
- Data de entrega
- 31/03/2026 16:15
- Versão
- 1
- Situação
- (Ativo)
Conteúdo
CNPJ
43.741.171/0001-84
INÍCIO DO FUNDO
DEZEMBRO/2022
ADMINISTRADOR
QI CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S.A.
PÚBLICO-ALVO
INVESTIDORES EM GERAL
GESTOR
SUNO GESTORA DE RECURSOS LTDA
TAXA DE ADMINISTRAÇÃO
0,10% A.A.
TAXA DE GESTÃO
1,15% A.A.
TAXA DE PERFORMANCE
20% SOBRE O QUE EXCEDER O BENCHMARK (IPCA+7 A.A.)
FII SUNO ENERGIAS LIMPAS
O SNEL11 – SUNO ENERGIAS LIMPAS FIl é o Fundo Imobiliário da Suno Asset que investe em Energias Limpas e Renováveis. Trata-se de uma maneira inovadora e democrática para o investidor comum ter acesso a uma tese que, além de extremamente lucrativa, gera impacto positivo para a sociedade. Os projetos do SNEL11 gerarão receita ao fundo por meio da locação imobiliária para consumidores que buscam usufruir dos beneficios proporcionados pelo sistema de compensação de créditos de energia.
SUMÁRIO
- SUMÁRIO.... 2
- DESTAQUES... .3
- TESE DE INVESTIMENTOS . 4
- COLUNA DA ENERGIA .5
- CARTA DO GESTOR..
- DÚVIDAS FREQUENTES . ..... 12
- PERFORMANCE E DESEMPENHO ... 15
- RESULTADO... .... 17
- ALOCAÇÕES E MOVIMENTAÇÕES... .... 19
- CENÁRIO MACROECONÔMICO .... 23
D E S TA Q U E S
| R$ 0,10 | R$ 0,002 | 14,94% |
|---|---|---|
| Distribuição por cota | Lucro acumulado por cota | Dividend Yield Anualizado |
| R$ 8,18 | R$ 8,57 | 74.416 |
| Cota Patrimonial | Cota Fechamento de Mercado | Número de cotistas |
| R$ 904.866.271 | R$ 948.507.272 | 1,05 |
| Patrimônio Líquido | ||
| Valor de Mercado | P/VP |
Em fevereiro/26, a ANEEL manteve o patamar de bandeira verde pelo segundo mês consecutivo, indicando que não haverá custo adicional nas contas dos consumidores de energia elétrica.
Ainda em fevereiro, encerrou-se o período de carência concedido à Setta para os novos contratos de locação da UFV Petrolina, dando início ao faturamento. Estes contratos representam 50% do projeto.
O portfólio de usinas em ramp-up comercial operado pela NUV Energia apresentou ocupação comercial ponderada de 28,6%. Os ativos São Bento Abade e Malbec registraram avanço de ocupação de 5,1 p.p. e 19,5 p.p., respectivamente, em relação ao mês anterior.
Em relação à liquidez, o fundo negociou relevantes R$ 69.118.647,57 no mês, com média diária de R$ 3.839.924,87. No mesmo período, o SNEL11 superou a marca de 70.000 cotistas, consolidando o crescimento de relevância que o produto vem conquistando no mercado de fundos imobiliários.
T E S E D E I N V E S T I M E N T O S
O SNEL é um fundo de investimento imobiliário com foco no desenvolvimento de projetos voltados à geração de energia limpa, atuando na construção, comercialização e monitoramento dos ativos.
Atualmente, o fundo concentra seus esforços no desenvolvimento/aquisição de usinas fotovoltaicas que operam na modalidade “geração distribuída”, desde que atendam aos critérios de retorno estabelecidos. Esses empreendimentos estão conectados à infraestrutura da distribuidora local e são destinados à locação para consumidores que buscam usufruir dos benefícios proporcionados pelo sistema de compensação de créditos de energia.
Os contratos de locação são firmados, majoritariamente, nas modalidades “Take or Pay” ou de energia compensada, com prazos alongados, o que proporciona maior previsibilidade e estabilidade na geração de receitas do fundo.

Contribuição para a transição energética do país, reduzindo emissões de GEE e aumentando a segurança energética.
C O L U N A D A E N E R G I A
“Behind-the-Meter": Como transformar o desperdício do curtailment em eficiência real
A transição energética global trouxe consigo um paradoxo inesperado: nunca produzimos tanta energia limpa — e, ao mesmo tempo, nunca desperdiçamos tanto dela. Com o aumento da penetração de fontes renováveis na matriz energética, como solar e eólica, o fenômeno do curtailment tornou-se cada vez mais comum. Trata-se da redução forçada da geração de energia devido à incapacidade da rede elétrica de absorver toda a produção disponível. Em outras palavras, mesmo quando há abundância de energia limpa, limitações de transmissão e desalinhamentos entre oferta e demanda fazem com que parte dessa energia simplesmente não seja utilizada.
Esse cenário revela uma ineficiência estrutural importante. Fontes renováveis dependem de condições naturais intermitentes — o sol não brilha o tempo todo, o vento não sopra de forma constante — e a infraestrutura de transmissão, por sua vez, é cara, complexa e lenta de expandir. Quando esses dois fatores se combinam, surge um efeito contraintuitivo: usinas prontas para gerar energia são obrigadas a reduzir sua produção. O desperdício não é apenas técnico, mas também econômico, pois representa perda direta de receita e desincentivo à expansão de projetos renováveis.
Importante destacar que esse fenômeno está essencialmente associado à geração centralizada e ao escoamento pela rede de transmissão. No caso da geração distribuída, em que a energia é produzida próxima ou no próprio local de consumo, o impacto do curtailment é praticamente inexistente. Como a energia gerada é consumida localmente, reduz-se a dependência da infraestrutura de transmissão e, consequentemente, elimina-se o principal fator que leva à necessidade de cortes na geração. É nesse contexto que ganha relevância o conceito de behind-the-meter, uma abordagem que propõe inverter a lógica tradicional do sistema elétrico. Em vez de gerar energia em locais remotos e transportá-la por longas distâncias até os centros de consumo, a ideia é posicionar grandes consumidores diretamente ao lado das usinas geradoras. Nesse modelo, o consumo ocorre localmente, “atrás do medidor”, sem depender da rede de transmissão convencional. Com isso, elimina-se o gargalo do escoamento e reduz-se significativamente o risco de curtailment.
Entre os diversos tipos de consumidores possíveis, os data centers se destacam como parceiros ideais para esse arranjo. Isso se deve à sua elevada demanda energética, à capacidade de expansão modular, à flexibilidade geográfica e ao crescimento acelerado impulsionado por tecnologias como computação em nuvem, inteligência artificial e análise de dados em larga escala. Ao serem instalados próximos às usinas renováveis, esses centros passam a consumir diretamente a energia que antes seria desperdiçada, criando uma relação simbiótica entre geração e processamento digital. Um dos aspectos mais interessantes dessa integração é a forma como ela redefine o papel do consumo energético. Em vez de depender exclusivamente de soluções tradicionais de armazenamento, como baterias, o sistema passa a utilizar o consumo produtivo como alternativa. Podemos pensar no data center, nesse sentido, funciona como uma forma de transportar a energia, ele não armazena energia, mas a utiliza instantaneamente para gerar valor, seja por meio de processamento de dados, treinamento de modelos de inteligência artificial ou prestação de serviços digitais.
Mais do que uma solução pontual para o curtailment, o modelo behind-the-meter representa uma mudança estrutural na forma como pensamos a relação entre geração, consumo e infraestrutura. Ao aproximar fisicamente oferta e demanda, ele reduz ineficiências sistêmicas, aumenta a previsibilidade econômica dos projetos renováveis e cria novas cadeias de valor baseadas no uso intensivo e inteligente da energia. Em um cenário de crescente eletrificação e digitalização da economia, transformar energia excedente em capacidade computacional não é apenas uma alternativa eficiente — é um caminho estratégico para destravar o pleno potencial da transição energética.
C A R TA D O G E S T O R
Prezados investidores, em fevereiro/26, a ANEEL manteve o patamar de bandeira verde pelo segundo mês consecutivo, indicando que não haverá custo adicional nas contas dos consumidores de energia elétrica. Dentre os motivos, observa-se uma recuperação satisfatória no nível dos reservatórios, reduzindo a necessidade de despacho das usinas termelétricas.
Geração Total Portfólio

Ativos em processo de Closing não estão contemplados nos gráficos deste tópico.
Geração por Ativo (MWh) - Fevereiro 26

Projetos em Destaque
UFV Petrolina
Em julho de 2025, por meio de comunicado ao mercado, foi anunciada a realocação de inquilinos em duas das quatro unidades consumidoras que compõem o projeto Petrolina (UFV Dois e UFV Quatro). A medida foi fundamentada pelo baixo desempenho histórico do antigo inquilino, com o objetivo de destravar o potencial de resultado do ativo.
Desempenho Antigo Inquilino (MWh)

A troca de inquilino nessas unidades consumidoras implicou também a alteração da modalidade contratual de "compensada" para "take or pay", reduzindo os riscos atrelados à operação comercial e aumentando a previsibilidade das receitas. A transferência de titularidade das unidades foi concluída em outubro de 2025 e, em fevereiro de 2026, encerrou-se o período de carência concedido à Setta (novo inquilino), dando início ao faturamento dos novos contratos.
Resultado UFV Petrolina

Nos meses subsequentes a esta realocação, foi realizado o distrato integral dos contratos com o inquilino anterior, com a transferência das duas unidades consumidoras remanescentes (UFV Um e UFV Três) também para a Setta. Ao longo de 2026, os novos contratos dessas unidades terão seus períodos de carência superados, representando uma receita adicional estimada em aproximadamente R$ 236 mil. Vale destacar que, mesmo com o distrato firmado, o Fundo ainda possui valores a receber referentes ao contrato anterior, que, de acordo com as projeções, se estenderão pelos próximos 26 meses.
UFV Pirassununga
Em fevereiro, a usina registrou uma ocorrência pontual: um furto de cabos que impactou a operação de quatro inversores, resultando em uma geração equivalente a 57,6% do projetado para o período. Apesar do impacto, é importante destacar que o evento não trouxe consequências catastróficas ao ativo, os reparos foram prontamente realizados, e a usina retomou sua operação em condições normais ainda dentro do mês. Mesmo com o ocorrido, o ativo encerrou fevereiro com um Cap Rate Anualizado (relação entre aluguel e capex) superior a 10%, sustentando a atratividade do investimento. Para março, a expectativa é que o ativo já retorne a níveis próximos aos habituais de geração, com performance se aproximando dos valores projetados para o mês.
Desempenho UFV Pirassununga (Competência)

• UFVs em Ramp-Up Comercial (São Bento, Mundo Melhor, Catena e Malbec)
No atual ciclo de avaliação, o portfólio de usinas operado pela nossa locatária, NUV Energia, apresenta uma ocupação comercial ponderada de 28,6%. Este indicador cruza a capacidade de geração projetada dos ativos com o consumo médio dos consorciados já ativados, refletindo o estágio de maturação em que se encontram os projetos. Na análise individualizada, destacam-se os ativos São Bento Abade e Malbec, que registraram avanço de ocupação de 5,1 p.p. e 19,5 p.p., respectivamente, em relação ao mês anterior.

Fonte: NUV / Elaboração: Suno Asset
Performance de Mercado
Referente ao resultado apurado no mês de fevereiro, o Fundo distribuiu o montante de R$ 0,10 por cota, o que corresponde a um Dividend Yield anualizado de 14,94% considerando o preço de fechamento da cota no mês de referência. Farão jus a esse rendimento os cotistas posicionados no Fundo até o dia 13 de março, data-base (data com) para fins de distribuição.
Em relação à liquidez, o fundo negociou R$ 69.118.647,57 no mês, com média diária de R$ 3.839.924,87. No mesmo período, o SNEL11 superou a marca de 70.000 cotistas, consolidando o crescimento de relevância que o produto vem conquistando no mercado de fundos imobiliários. A evolução desses indicadores pode ser observada no gráfico abaixo:
Volume médio diário negociado X N° de Cotistas

Fonte: Quantum Axis / Elaboração: Suno Asset.
A expectativa de rendimentos para os próximos três meses está dentro da faixa de R$ 0,10 a R$ 0,11 por cota, alinhada ao desempenho atual do portfólio e reserva de resultados financeiros. Para os períodos seguintes, a continuidade ou eventual alteração na distribuição dependerá da evolução dos ramp-ups, da aplicação de reajustes tarifários e da conexão dos ativos que ainda aguardam energização. Embora não seja possível garantir resultados futuros, esses fatores representam potenciais fontes de incremento ou decréscimo na geração de receita operacional do Fundo.
Equipe de Gestão, SUNO ASSET.
D Ú V I D A S F R E Q U E N T E S
• Como o fundo ganha dinheiro e quais os tipos de contratos de locação?
O fundo obtém receita a partir de contratos de locação firmados com seus inquilinos, que podem ocorrer nas modalidades Take or Pay (locação com pagamento fixo) ou compensação de energia (com o pagamento de um aluguel variável condicionado ao benefício efetivamente realizado pelos inquilinos).
Houve mudança na estratégia do fundo? O fundo está focado em desenvolver projetos ou adquirir projetos operacionais?
Sim, a estratégia do SNEL11 evoluiu ao longo do tempo. O fundo iniciou com foco no desenvolvimento de projetos (greenfield), buscando capturar valor desde a construção das usinas. Com o avanço do mercado, o desequilíbrio temporário da oferta e demanda e o aumento das taxas de juros, surgiram oportunidades de adquirir usinas já operacionais a preços atrativos, com menor risco de execução e geração imediata de caixa. Desde a terceira emissão, o fundo passou a se concentrar na aquisição de ativos prontos priorizando a estabilidade de resultados e previsibilidade de rendimentos
Detalhamento sobre a capacidade de geração de caixa e distribuição de resultados pelo fundo, além de abertura de receita potencial por ativo.
Inicialmente, é importante destacar que nem toda a capacidade instalada está operando em regime econômico pleno. Parte das usinas ainda está em fase de ramp-up, período em que a geração e o faturamento crescem gradualmente até a estabilização. Há também casos em que valores de locação estão sendo acumulados e serão refletidos nas próximas faturas, como em contratos com carência.
Esse movimento é temporário e vem evoluindo positivamente. Alguns exemplos: i) Ao longo de 2026, será encerrado o período de carência das novas locações das UFVs Petrolina 1 e 3, passando a gerar caixa e contribuir efetivamente para o resultado do fundo (entre a data de assinatura do contrato e o fim da carência, os valores de locação são acumulados e serão pagos ao longo de 2027, juntamente com os aluguéis correntes). Além disso, ainda existem créditos acumulados junto à Lemon (antigo inquilino), que serão realizados nos próximos meses e representarão receita adicional para o projeto; ii) A conclusão do ramp-up das usinas Mundo Melhor e São Bento Abade, somando 12 MWp, complementando a maturação operacional do portfólio. iii) Conexão e conclusão do ramp-up da UFV Liberdade, que possui 7MWp de capacidade instalada.
Com esses avanços, a expectativa é de que a receita operacional cresça de forma consistente e efetiva, consolidando a base necessária para sustentar a capacidade de distribuição de dividendos ao longo dos próximos ciclos.
• Detalhamento sobre a reserva de lucros e variação dos lucros acumulados.
As variações no lucro acumulado fazem parte do planejamento natural de transição do fundo, que ainda está em fase de amadurecimento operacional. O SNEL11 conta com reservas de resultado formadas nos primeiros ciclos de alocação e com o apoio das receitas financeiras previstas desde a origem da tese, de modo que o resultado acumulado serve justamente para amortecer o período de ramp-up das usinas e garantir estabilidade na distribuição. À medida que o portfólio consolida sua geração e o fluxo das receitas imobiliárias passa a refletir integralmente o desempenho das usinas, a dependência das receitas financeiras tende a reduzir, e a renda operacional se torna a principal fonte de resultado. Esse movimento já estava previsto no cronograma de maturação do fundo e é acompanhado de perto pela gestão, que busca equilibrar a previsibilidade dos rendimentos mensais com a sustentabilidade financeira de longo prazo. Em resumo, as oscilações do lucro acumulado não indicam deterioração dos resultados, mas sim a utilização planejada das reservas e o cumprimento da estratégia de transição para um portfólio totalmente autossustentável em termos operacionais.
Explicação e detalhamento sobre o CRI Portfolio Solar
O CRI Portfólio Solar foi uma estrutura transitória, utilizada em 2024 para financiar a construção das usinas Mundo Melhor, Liberdade e São Bento Abade, antes da incorporação da emissora (então NK Empreendimentos 312) pelo fundo. Com a aquisição dessa empresa pelo SNEL11, esta foi integralmente liquidada e extinta, tornando-se um assunto encerrado dentro da estrutura do fundo. Na prática, a operação representou apenas a internalização dos ativos lastro e de suas garantias, por meio de compensação contábil, sem movimentação financeira. As usinas permaneceram no patrimônio do fundo, agora sob a controlada Suno Projetos Maduros S.A (antiga NK Empreendimentos).
Em suma, trata-se de um assunto contábil encerrado, que não gera qualquer impacto financeiro, contratual ou operacional sobre o fundo. A operação apenas simplificou a estrutura societária, sem alterar a geração de caixa ou o desempenho econômico do SNEL11.
Como se dará a geração de caixa do fundo e capacidade de pagamento de dividendos após a liquidação do CRI?
A manutenção do patamar de distribuição e geração de caixa está apoiada no amadurecimento operacional do portfólio. Parte relevante das usinas do fundo ainda se encontram em fase de ramp-up, período em que a geração e o faturamento evoluem gradualmente até atingir sua plena capacidade econômica.

Ativos em processo de closing não estão contemplados no gráfico acima.
Qual é a situação atual da usina Liberdade (GO)?
A UFV Liberdade teve suas obras concluídas e encontra-se aguardando a conexão à rede elétrica da Equatorial Goiás. O processo de liberação envolve autorizações complementares junto à concessionária e órgãos ambientais, incluindo a travessia de uma rodovia estadual necessária para a conclusão da linha de conexão. A equipe técnica da gestora, em conjunto com a CBIE, segue acompanhando de perto o andamento do processo e atuando junto às partes envolvidas para garantir que a conexão ocorra o quanto antes. Também está sendo analisada a possibilidade de judicialização contra a distribuidora, buscando acelerar o prazo de conexão e indenizar o fundo pela perda de receita ocorrida decorrente do atraso ocorrido. Importante destacar que eventual ganho decorrente de indenizações é uma possibilidade real, porém não consta nas premissas e projeções da equipe de gestão.
P E R F O R M A N C E E D E S E M P E N H O
(RENTABILIDADE, Nº COTISTAS, PL, COTAÇÃO, VOLATILIDADE)

Fonte: Quantum Axis / Elaboração: Suno Asset.
Perfomance SNEL x Indexadores

(Considera Valorização das Cotas + Proventos) Fonte: Quantum Axis / Elaboração: Suno Asset.
Número de Cotistas

Fonte: Quantum Axis / Elaboração: Suno Asset.
Patrimônio Líquido (em R$ MM)

Fonte: Quantum Axis / Elaboração: Suno Asset.
Cota Patrimonial x Cota Mercado (em R$)

Distribuição e DY Anualizado

Fonte: Quantum Axis / Elaboração: Suno Asset.
R E S U LTA D O
| MÊS | dez/25 | jan/26 | fev/26 | LTM | 2025 |
|---|---|---|---|---|---|
| 1. Receitas | 9.919.719 | 11.429.165 | 11.362.604 | 73.005.345 | 54.385.198 |
| 1.a. Receita de Locação (UFVs) | 9.795.629 | 9.052.844 | 10.735.007 | 49.852.808 | 31.357.094 |
| 1.b. Aplicação/Movimentação caixa | 124.090 | 2.376.321 | 627.597 | 23.152.537 | 23.028.103 |
| 2. Despesas | -819.794 | -1.000.050 | -991.561 | -9.300.646 | -8.023.587 |
| 2.a. Despesas do Fundo | -641.291 | -960.535 | -885.416 | -7.785.688 | -6.490.672 |
| 2.b. Despesas não recorrentes | -178.503 | -39.515 | -106.145 | -1.514.957 | -1.532.915 |
| 3. Resultado Exercício (1+2) | 9.099.925 | 10.429.115 | 10.371.043 | 63.704.699 | 46.361.610 |
| 4. Resultado Distribuível | 9.836.862 | 12.043.959 | 11.347.239 | 64.069.782 | 47.717.641 |
| 4.a. Resultado Exercício (3) | 9.099.925 | 10.429.115 | 10.371.043 | 63.704.699 | 46.361.610 |
| 4.b. Resultado Não Distribuído | 736.937 | 1.614.844 | 976.196 | 365.082 | 1.356.030 |
| 5. Rendimento Distribuído | 8.222.018 | 11.067.763 | 11.067.763 | 63.790.305 | 46.308.821 |
| 5.a. Distribuição - SNEL11 | 3.833.420 | 11.067.763 | 11.067.763 | 58.526.126 | 40.170.237 |
| 5.b. Distribuição - Recibos | 4.388.598 | 0 | 0 | 5.264.179 | 6.138.583 |
| 5.c. Distribuição R$/cota - SNEL11 | 0,10 | 0,10 | 0,10 | 1,20 | 1,20 |
Fonte: QI Tech / Elaboração: Suno Asset.
Lucro Acumulado (R$/cota)

Fonte: QI Tech / Elaboração: Suno Asset (Cotas + Recibos)

Fonte: QI Tech / Elaboração: Suno Asset. (Cotas + Recibos)
Resultado Mensal Detalhado por Cota

Fonte: QI Tech / Elaboração: Suno Asset.
A L O C A Ç Õ E S E M O V I M E N T A Ç Õ E S
CARTEIRA DE ATIVOS
| Identificação Tipo de Ativo Indexador Part SicNipEaLção Vol S MNMEL) (R$ % Ativos |
|---|
| San Remo 1 & 2 UFV Inflação 100% R$ 28,91 3,11% |
| Amontada 2 UFV Inflação 90% R$ 5,59 0,60% |
| Petrolina 1,2,3,4 UFV Inflação 100% R$ 32,88 3,54% |
| Itabira UFV Inflação 100% R$ 14,11 1,52% |
| Brunello UFV Inflação 100% R$ 0,85 0,09% |
| Paramirim UFV Inflação 100% R$ 33,54 3,61% |
| Cruzeiro do Sul UFV Inflação 100% R$ 16,04 1,73% |
| Soleil UFV Inflação 100% R$ 15,71 1,69% |
| Juti UFV Inflação 100% R$ 18,67 2,01% |
| Ativos em Aquisição UFV Inflação 100% R$ 254,04 27,36% |
| Liquidez Projetos GD FII Liquidez Inflação 100% R$ 219,62 23,65% |
| FII Holding Projetos FII GD Inflação 100% R$ 217,72 23,45% |
| CRI Pirelli CRI Inflação - R$ 4,10 0,44% |
| CRI Fametro CRI Inflação - R$ 3,90 0,42% |
| Caixa e Equivalentes Liquidez CDI - R$ 62,93 6,78% |
| R$ 928,63 100,00% |
* Fii Tático visando rentabilizar o caixa enquanto os recursos não são utilizados para as aquisições em andamento.
** Fii Estrutural onde foram incorporados os ativos adquiridos na 2° e 3° emissão do SNEL, com exceção dos ativos de Micro GD.
Fonte: Singulare / Elaboração: Suno Asset

Fonte: Singulare / Elaboração: Suno Asset
DETALHAMENTO DAS UFVs
| Identificação | Distribuidora | Fase | Data de Conexão | Capacidade Instalada | Capex (R$ mm) | Tipo Locação | Vencimento Locação | Inquilino | O&M | EPC |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| San Remo 1 | CEMIG - MG | Operação | 06/2024 | 1,40 MWp | 6,3* | Take or Pay | 02/2039 | Matrix | Impetus | Impetus |
| San Remo 2 | CEMIG - MG | Operação | 03/2024 | 3,36 MWp | 15,2* | Take or Pay | 02/2039 | Matrix | Impetus | Impetus |
| Amontada 2 | ENEL - CE | Operação | 02/2024 | 1,20 MWp | 5,0* | Compensada | 01/2039 | 9Energia | 9Energia | 9Energia |
| Petrolina 1 | CELPE - PE | Operação | 06/2024 | 1,26 MWp | 7,2* | Take or Pay | 12/2035 | Setta | 3P | Voltxs |
| Petrolina 2 | CELPE - PE | Operação | 06/2024 | 1,26 MWp | 7,2* | Take or Pay | 06/2035 | Setta | 3P | Voltxs |
| Petrolina 3 | CELPE - PE | Operação | 06/2024 | 1,26 MWp | 7,2* | Take or Pay | 12/2035 | Setta | 3P | Voltxs |
| Petrolina 4 | CELPE - PE | Operação | 06/2024 | 1,26 MWp | 7,2* | Take or Pay | 06/2035 | Setta | 3P | Voltxs |
| Itabira 1 | CEMIG - MG | Operação | 09/2023 | 3,06 MWp | 4,6* | Compensada | 08/2030 | Serena | Metrion | Enerside |
| Liberdade | EQTL - GO | Conexão | - | 7,00 MWp | 38,2* | Indefinido | Indefinido | Indefinido | Indefinido | Impetus |
| Mundo Melhor | EQTL - GO | Operação | 04/2025 | 7,00 MWp | 38,3* | Compensada | 05/2030 | NUV | Impetus | Impetus |
| São Bento Abade | CEMIG - MG | Operação | 08/2025 | 7,00 MWp | 38,2* | Compensada | 07/2030 | NUV | Metrion | Impetus |
| Pirassununga | ELEKTRO - SP | Operação | 08/2024 | 3,34 MWp | 15,3* | Take or Pay | 12/2039 | Safira | Splendor | Splendor |
| Pains | CEMIG - MG | Operação | 05/2023 | 3,67 MWp | 19,4* | Compensada | 05/2050 | NUV | Vivaz | Ecolampe |
| Carmo RBE | LIGHT - RJ | Operação | 05/2024 | 5,33 MWp | 32,7* | Compensada | 05/2050 | NUV | Vivaz | Ecolampe |
| Carmo FE | LIGHT - RJ | Operação | 05/2024 | 5,33 MWp | 32,7* | Compensada | 05/2050 | NUV | Vivaz | Ecolampe |
| Angra | LIGHT - RJ | Operação | 04/2023 | 4,62 MWp | 26,3* | Compensada | 05/2050 | NUV | Vivaz | Ecolampe |
| Catena | CEMIG - MG | Operação | 10/2024 | 3,65 MWp | 18,6* | Compensada | 11/2030 | NUV | Insol | Insol |
| Malbec | CEMIG - MG | Operação | 10/2024 | 0,76 MWp | 3,9* | Compensada | 11/2030 | NUV | Insol | Insol |
| Rutini | CEMIG - MG | Operação | 10/2024 | 0,11 MWp | 0,6* | Compensada | 04/2028 | Juntos | Insol | Insol |
| Elói Mendes | CEMIG - MG | Operação | 10/2024 | 0,06 MWp | 0,3* | Compensada | 04/2029 | Juntos | Insol | Insol |
| Paramirim | COELBA - BA | Operação | 08/2025 | 6,72 MWp | 33,5* | Compensada | 01/2030 | NUV | Vivaz | Ecolampe |
| Cruzeiro do Sul | COPEL - PR | Operação | 04/2025 | 3,37 MWp | 16,0* | Compensada | 09/2029 | Nextron | Involt | SWSolar |
| Soleil | COPEL - PR | Operação | 10/2024 | 3,37 MWp | 15,7* | Compensada | 09/2029 | Nextron | Involt | Involt |
| Juti | ENERGISA - MS | Operação | 09/2025 | 3,37 MWp | 18,7* | Indefinido | Indefinido | Indefinido | Involt | Interface |
| Soma / Média Ponderada | 78,73 MWp | 408,70 | 07/2037 |
* Valor parcial. Novos desembolsos são previstos

Exposição por Distribuidora


Exposição por Inquilino


Exposição por Locação

Exposição Geográfica

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C E N Á R I O M A C R O E C O N Ô M I C O
De Washington a Brasília: os Vetores que Movem os Mercados
Gustavo Sung - Economista-chefe
Fevereiro foi um mês de ajustes graduais. A economia americana seguiu em trajetória de pouso suave, enquanto a agenda tarifária nos Estados Unidos voltou ao centro do noticiário. Ao mesmo tempo, o dólar continuou perdendo força e parte dos fluxos globais passou a buscar maior diversificação.
Nesse ambiente, o Brasil voltou a ganhar espaço na equação internacional. A combinação entre um cenário externo mais favorável e a proximidade do início do ciclo de queda da Selic ajudou a sustentar o bom desempenho dos ativos domésticos.
Cenário Global
Em relação aos dados macroeconômicos norte-americanos, não houve mudanças relevantes desde a última carta. Em 2025, o PIB cresceu 2,2%, abaixo dos 2,8% registrados em 2024. No 4T25, a alta anualizada foi de 1,4%, sinalizando uma desaceleração mais intensa do que o esperado. Entretanto, esse resultado refletiu, em grande parte, a paralisação parcial do governo.
A boa notícia é que a demanda interna continua resiliente. Ao analisarmos as vendas finais para compradores privados domésticos, que é uma proxy importante para a demanda, observamos expansão anualizada de 2,4% nos últimos três meses do ano, o que ajuda a afastar um cenário de recessão.
No campo dos preços, a inflação acumulada em 12 meses desacelerou de 2,7% para 2,4%. O núcleo, que exclui alimentos e energia, recuou para 2,5% em termos anuais. Em conjunto, os dados reforçam um processo desinflacionário gradual, ainda que heterogêneo: bens duráveis permanecem comportados, mesmo diante de choques tarifários, enquanto os serviços seguem mais resilientes, com alta próxima de 3,0% em 12 meses. As expectativas de inflação continuam ancoradas próximas a 3,0%, e projetamos que a inflação encerre 2026 entre 2,3% e 2,5%.
O mercado de trabalho voltou ao centro das atenções em fevereiro. O payroll de janeiro registrou criação de 130 mil vagas não agrícolas, acima das expectativas (70 mil), enquanto a taxa de desemprego caiu de 4,4% para 4,3%. À primeira vista, o dado poderia sugerir reaceleração. Uma leitura mais cuidadosa, no entanto, recomenda cautela.
Revisões sazonais e ajustes metodológicos afetaram a comparação intertemporal, e o número ainda pode passar por novas revisões. Além disso, importante ressaltar que a média mensal de geração de vagas ao longo de 2025 ficou em 15 mil, bem abaixo dos períodos anteriores. Ao mesmo tempo, não se trata de desaceleração abrupta. A razão entre vagas abertas e desempregados retornou a níveis semelhantes aos de 2016–2017, patamar compatível com um mercado equilibrado.
As taxas de contratação e demissão reforçam esse diagnóstico. As empresas seguem cautelosas: evitam cortes e mostram menor disposição para ampliar contratações diante das incertezas sobre o ritmo da economia.
A composição setorial acrescenta um elemento estrutural. Em janeiro, aproximadamente 95% das vagas criadas concentraram-se em saúde e assistência social, segmentos associados, entre outros fatores, ao envelhecimento populacional. Esses setores lideraram a geração de empregos em 2024 e 2025.
Em contrapartida, a manufatura, que representa cerca de 8% da força de trabalho, segue perdendo vagas e ainda não reflete de forma consistente o objetivo da Casa Branca de revitalizar a indústria. Serviços administrativos também acumulam perdas, possivelmente relacionadas a ganhos de produtividade ligados à digitalização e à inteligência artificial.
Na tabela abaixo, ilustramos a criação de vagas por segmento.
Criação de Vagas por Segmento (mil)
| C | riação de | Vagas - M | ensa l (m | il) | C | riação de | Vagas - | An ua l (mi | l) | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Setores | set/25 | out/25 | nov/25 | dez/25 | ja n/26 | 2023 | 2024 | 2025 | ja n/26 | =Tota l |
| Área da Sa úde | 39,6 | 33,6 | 50,0 | 33,4 | 81,9 | 671,9 | 632,5 | 390,7 | 81,9 | 1.777,0 |
| Governo | 8,0 | -153,0 | -31,0 | -16,0 | -42,0 | 726,0 | 438,0 | -186,0 | -42,0 | 936,0 |
| Assistência Socia l | 15,7 | 14,0 | 9,9 | 15,5 | 41,6 | 329,1 | 250,2 | 302,5 | 41,6 | 923,4 |
| Serviços de a limentação e esta belecimentos de bebidas | 38,9 | 42,6 | 21,6 | 13,9 | 27,8 | 223,3 | 55,4 | 96,7 | 27,8 | 403,2 |
| Co nstr u ção d e ed ifíc i os n ão resi d e n c i a is | 1 ,6 | 1 ,4 | 7,3 | 1 ,1 | 3,6 | 38,2 | 25,8 | 5,1 | 3,6 | 72,7 |
| Fa b ri cação d e a l i m e ntos | 0,9 | 0,9 | 3,8 | 0,0 | 0,8 | 33,0 | 26,2 | 2,3 | 0,8 | 62,3 |
| Fa b ri cação d e p rod utos d e rivad os d e pet ró l eo e ca rvão | 0,9 | 1 ,1 | 0,1 | 0,5 | 1 ,4 | 4,4 | 0,3 | 0,1 | 1 ,4 | 2,6 |
| Fa b ri cação d e p rod utos q u ím i cos | 0,6 | 1 ,5 | 0,0 | 2,8 | 1 ,8 | 1 0,9 | 4,5 | 2,6 | 1 ,8 | 5,6 |
| I n d ústri as têxte is | 0 8, | 0 5, | 0 6, | 0 1, | 1 0, | 6 6, | 3 3, | 2 9, | 1 0, | 1 3 8, |
| Fa b ri cação d e vestu á ri o | 0,0 | 0,6 | 2,7 | 0,2 | 1 ,8 | 0,4 | 6,5 | 6,4 | 1 ,8 | 1 5,1 |
| Tra nspo rte rod ovi á ri o d e ca rg as | 7,9 | 0,3 | 4,8 | 0,9 | 4,3 | 52,0 | 40,7 | 27,9 | 4,3 | 1 24,9 |
| M a n ufatu ra | 3 0, | 9 0, | 1 0 0, | 8 0, | 5 0, | 23 0, | 1 79 0, | 1 08 0, | 5 0, | 305 0, |
| Se rvi ços Ad m i n istrativos | 1 2,7 | 1 4,3 | 1 9,0 | 1 9,0 | 9,5 | 290,7 | 1 47,4 | 1 06,7 | 9,5 | 535,3 |
Fonte: BLS / Elaboração: Suno Asset
O quadro geral, portanto, segue compatível com uma desaceleração ordenada da economia americana. Não há sinais de recessão iminente, tampouco indícios de reaceleração robusta. O crescimento converge para algo próximo de 2% em 2026, enquanto a inflação ainda gera desconforto nos diretores do banco central.
Nesse contexto, o Federal Reserve manteve a taxa entre 3,50% a.a. e 3,75% a.a. e adotou tom hawkish na ata da última reunião, preservando uma postura prudente. Mantemos a projeção de dois cortes em 2026, um no segundo trimestre e outro no segundo semestre, condicionados à evolução das variáveis macroeconômicas.
Ruídos institucionais: tarifas, incerteza e fragmentação
Além do cenário macro, fevereiro trouxe ruídos institucionais relevantes. A decisão da Suprema Corte que limitou o uso de instrumentos emergenciais para impor tarifas reafirmou o sistema de freios e contrapesos, mas expôs incertezas na condução da política comercial.
Como declarado em diversas ocasiões antes mesmo da decisão, Donald Trump reagiu rapidamente. Como “Plano B”, a Casa Branca adotou uma tarifa global de 10% por 150 dias, utilizando outros instrumentos legais para manter a pressão comercial enquanto avalia alternativas estruturais. Com isso, o tema tarifário permaneceu no centro do debate econômico e político nos Estados Unidos.
Mesmo temporária, a medida reintroduziu incerteza para empresas e parceiros comerciais. Cadeias produtivas haviam sido reorganizadas com base no regime anterior. A União Europeia congelou o acordo com os Estados Unidos até obter maior segurança jurídica e maior clareza sobre o desfecho do episódio.
Por outro lado, países e produtos que estavam sujeitos a tarifas mais elevadas passaram a se beneficiar da decisão da Suprema Corte, que tende a favorecer o comércio global, especialmente entre economias emergentes, e gerou reação positiva nos mercados acionários nos dias seguintes ao anúncio. No caso do Brasil, a alíquota média efetiva de importação recuou 13,6 p.p. Além disso, produtos que não haviam sido contemplados nas rodadas anteriores, como café solúvel, pescado e uva, passaram a enfrentar tarifas menores.
Também entrou no radar uma discussão relevante: caso as cobranças sejam consideradas ilegais, haverá reembolso aos importadores norte-americanos? Os valores potencialmente envolvidos superam US$ 175 bilhões, o que reforça a complexidade do tema.
Por fim, somam-se a esse cenário tensões geopolíticas envolvendo os EUA e Irã, que pode sofrer um ataque em breve, e movimentos estratégicos como os acordos comerciais entre Índia e União Europeia e a aproximação entre Brasil e Índia.
Dólar mais fraco e a experiência histórica
A atual conjuntura, marcada pela redução do chamado “excepcionalismo” dos EUA, por incertezas e ruídos da administração Trump, tanto no campo econômico quanto geopolítico, tem enfraquecido a percepção dos EUA como porto seguro dos investimentos. Somam-se a isso valuations mais esticados na bolsa norte-americana, especialmente em setores de tecnologia, o que reduziu a propensão de concentrar parcela relevante do capital apenas no mercado americano.
Esse movimento intensificou a busca por diversificação geográfica e por ativos de proteção, como ouro e prata, o que contribuiu para o enfraquecimento do dólar — dinâmica refletida na trajetória do índice DXY apresentada no gráfico a seguir.

Fonte: Refinitiv / Elaboração: Suno Asset
Parte do capital antes concentrado no mercado americano passou, assim, a buscar economias com maior prêmio de risco e potencial de valorização, sobretudo mercados emergentes.
No mês passado, o desempenho das bolsas de diversos países tem refletido essa dinâmica, como ilustra a imagem abaixo, que apresenta os ETFs em dólares da Coreia do Sul (+56%), Peru (+30%) e Brasil (+22%), entre outros. Como consequência desse movimento, observa-se apreciação cambial em diversas economias, inclusive no Brasil.
ETFs dos Índices dos Países em dólares

Fonte: Refinitiv/Elaboração: Suno Asset
Cenário Doméstico
O real se valorizou frente ao dólar ao longo de fevereiro, refletindo o enfraquecimento da moeda norte-americana, a entrada consistente de capital estrangeiro e o elevado diferencial de juros a favor do Brasil. Nesse ambiente, o Ibovespa renovou máximas históricas em fevereiro, ultrapassando 192 mil pontos, e o IFIX também atingiu novos recordes.
Se o fluxo estrangeiro foi o primeiro impulso para a renda variável, o início do ciclo de queda da Selic pode ampliar a participação do investidor doméstico. Com juros menores, aplicações de renda fixa passam a oferecer retornos relativamente menos atrativos, reduzindo o custo de oportunidade de migrar para a bolsa. Além disso, taxas de desconto mais baixas aumentam o valor presente dos lucros futuros das empresas, o que tende a favorecer a precificação de ativos de risco.
Em janeiro, o Copom sinalizou que, se o cenário seguir como esperado, o início do ciclo de cortes deve ocorrer em março, em linha com o nosso cenário. Mantemos a projeção de um primeiro corte de 0,50 p.p., com a Selic encerrando 2026 em 12,5% a.a.
Cenário para Trajetória da Taxa Selic (% a.a.)
| Copom | Cenário Otimista | Cenário Base | Cenário Pessimista |
|---|---|---|---|
| Probabilidade | 25% | 60% | 15% |
| jan/26 | 15,00% | 15,00% | 15,00% |
| mar/26 | 14,50% | 14,50% | 14,75% |
| abr/26 | 14,00% | 14,00% | 14,50% |
| jun/26 | 13,50% | 13,50% | 14,25% |
| ago/26 | 13,00% | 13,00% | 14,00% |
| set/26 | 12,50% | 12,50% | 13,75% |
| nov/26 | 12,00% | 12,50% | 13,50% |
| dez/26 | 12,00% | 12,50% | 13,00% |
| dez/27 | 10,25% | 10,75% | 11,25% |
Fonte: Banco Central / Elaboração: Suno Asset
Apesar do ambiente construtivo, alguns vetores ainda não parecem plenamente incorporados aos preços dos ativos. O calendário eleitoral começa a ganhar relevância, mas, até o momento, as eleições ainda não foram integralmente refletidas no mercado.
Em abril, ocorrerão as desincompatibilizações dos candidatos que ocupam cargos no Executivo, o que tende a trazer maior clareza ao xadrez eleitoral. Em agosto, será realizado o registro oficial das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral, consolidando o quadro da disputa. Ao longo do segundo semestre, novas sinalizações, principalmente, do lado econômico poderão alterar as expectativas fiscais e, consequentemente, influenciar o prêmio de risco dos ativos domésticos – de forma positiva ou negativa.
As últimas pesquisas indicam uma disputa acirrada. Se o padrão recente se repetir, a margem de vitória tende a ser estreita. Além disso, governos incumbentes têm enfrentado maior dificuldade para se reeleger em diferentes países, o que aumenta a sensibilidade dos mercados ao avanço do ciclo eleitoral. Nesse contexto, novas pesquisas podem influenciar o humor do mercado nos próximos meses, elevando a volatilidade no curto prazo.
Em relação aos dados econômicos, o Brasil segue em pouso suave. Os últimos dados de atividade sugere que o último trimestre do ano passado manteve sinais de moderação, refletindo os efeitos da política monetária restritiva.
Para 2026, esperamos crescimento mais concentrado no primeiro semestre, sustentado por estímulos típicos de períodos pré- eleitorais, pelo aumento da renda disponível das famílias decorrente da reforma do Imposto de Renda e do aumento do saláriomínimo, além do desempenho do setor agropecuário, com expansão da produção de soja no início do ano. Para 2026, seguimos projetando expansão de 1,8%. O mercado de trabalho permanece resiliente, com desemprego em 6,0% e massa de rendimentos elevada.
A inflação mantém trajetória gradual de desinflação. O IPCA segue abaixo do limite superior da meta, em 4,44%, e mantemos a projeção de 4,0% ao final de 2026.
No câmbio, revisamos para baixo as projeções de curto prazo diante de um ambiente externo mais favorável, como tratado anteriormente. Entretanto, o cenário base continua: estimamos trajetória mais estável até o final do terceiro trimestre, com tendência de desvalorização durante o período eleitoral, encerrando o ano em torno de R$ 5,65.
O cenário segue positivo, mas exige cautela. O quadro fiscal permanece desafiador, com crescimento acelerado da dívida bruta e necessidade de um ajuste estrutural a partir de 2027.
Cenário 2027
Para 2027, não alteramos nosso cenário. Seguimos projetando crescimento mais contido da economia brasileira, refletindo a combinação entre menor impulso fiscal e o esgotamento gradual dos vetores que sustentaram a atividade nos últimos anos.
Em nosso cenário, independentemente do resultado das eleições, será necessário algum grau de ajuste das contas públicas a partir de 2027, o que tende a reduzir a expansão dos gastos e, consequentemente, diminuir o suporte da política fiscal sobre o PIB. A magnitude desse ajuste deverá variar conforme o desenho e a condução da política econômica do próximo governo, mas o movimento de correção é inevitável.
Projetamos crescimento de 1,4% do PIB em 2027. A taxa de desemprego tende a subir para 6,7%.
No campo fiscal, projetamos déficit primário de 0,3% do PIB em 2027, equivalente a R$ 48,7 bilhões. Ao considerar os descontos permitidos para fins de cumprimento da meta do Novo Arcabouço Fiscal — em especial a exclusão do pagamento de precatórios (R$ 96 bilhões) — o Executivo conseguiria cumprir a regra, encerrando o ano com superávit de 0,3% do PIB, ou R$ 47,3 bilhões, levemente abaixo do centro da meta de 0,5% do PIB.
Em nossas estimativas, a dívida bruta (DBGG) seguirá em trajetória ascendente, encerrando 2027 em 86,7% do PIB.
No campo inflacionário, projetamos IPCA de 3,8% em 2027, ainda acima da meta, mas com composição mais favorável.
A combinação entre desaceleração da atividade, menor pressão no mercado de trabalho, inflação mais bem comportada e expectativas mais próximas da meta abre espaço para a continuidade do ciclo de flexibilização monetária. Em 2027, projetamos Selic terminal de 10,75% a.a., com possíveis efeitos positivos para a renda variável.
Por fim, o câmbio tende a permanecer sensível. O efeito defasado do calendário eleitoral de 2026, as incertezas fiscais e a redução do diferencial de juros Brasil–EUA ao longo do ciclo de cortes doméstico devem manter a moeda sob pressão. Mantemos projeção de câmbio em torno de R$ 5,65 ao final de 2027.
Abaixo, apresentamos as projeções de 2026 e 2027 para as principais variáveis da economia brasileira
Projeções Suno
| Brasil - Variáveis Econômicas | 2025 | 2026 | 2027 |
|---|---|---|---|
| PI B (var % a.a. real em volu me) | 2,3% | 1 ,8% | 1 ,4% |
| PI B Nominal (R$ Tri) | R$ 12,739 | R$ 13,61 0 | R$ 1 4,460 |
| Taxa de Desem prego (%, fim do período) | 5,1 % | 6,0% | 6,7% |
| I PCA (%, a/a, fim de período) | 4,26% | 4,0% | 3,8% |
| I PCA - Ad ministrados (%, a/a, fim de período) | 5,3% | 4,0% | 3,5% |
| I PCA - Livres (%, a/a, fim de período) | 3,9% | 4,1 % | 3,9% |
| Taxa Selic (% a.a., fim de período) | 15,00% | 12,50% | 1 0,75% |
| Taxa de Câm bio (R$/US$, fim de período) | 5,50 | 5,65 | 5,65 |
| Balança comercial (US$ bilhões) | 68,1 | 78,0 | 82,3 |
| Resu ltado Primário do Governo Central (% PI B) - meta | 0,1 % | 0,1 % | 0,3% |
| Resu ltado Primário do Governo Central (% PI B) | 0,5% | 0,6% | 0,3% |
| Dívida Bruta - DBGG (% PI B) | 78,7% | 83,3% | 86,7% |
| Dívida Líq u ida do Setor Pú blico - DLSP (% PI B) | 65,3% | 68,9% | 71 ,8% |
Fonte: Banco Central e IBGE / Elaboração: Suno Asset
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