IFIX cai 8,6% depois da eleição e tem a pior semana desde março de 2020
Medo e Ganância vai de 66,9 a 12,8 e entra em medo extremo; TGAR11 corta o rendimento em 34,9%
Kartac · 01/11/2026 · 4 min de leitura
O IFIX, o índice que reúne os fundos imobiliários mais negociados, fechou a semana de 26 a 30 de outubro aos 3.647 pontos, queda de 8,6%. Foi a maior perda semanal desde março de 2020, no começo da pandemia. O índice, que subia 5,7% no ano até a sexta anterior, passou a cair 3,4% em 2026. A queda começou na segunda-feira, primeiro pregão depois da reeleição do presidente Lula, com a alta dos juros futuros, segundo o Money Times.
O pior pregão desde 2020
Só na segunda, 26, o IFIX recuou 5,68%, a maior queda num único dia desde 18 de março de 2020.
Segundo a Suno, a B3 interrompeu por meia hora as negociações do mercado à vista na segunda, depois de a bolsa cair mais de 10%, o que não acontecia desde março de 2020. O Tesouro, ainda segundo a Suno, cancelou os leilões de títulos prefixados e atrelados à inflação da semana. Segundo o Money Times, as taxas dos juros futuros de 2029 em diante chegaram perto de 15% ao ano.
Por que isso derruba a cota: quem compra um fundo imobiliário compra renda. Se o título do governo passa a pagar mais, o investidor só fica no fundo pagando menos pela cota. O aluguel não mudou; mudou o preço dele.
Caíram 257 fundos e subiram 39. A mediana dos fundos de fundos recuou 9,0%, e a dos fundos de tijolo, 8,9%; os de tijolo tinham liderado a alta da semana anterior, com 1,8%. A logística foi a que menos caiu, 6,4%. O volume somou R$ 3,8 bilhões, 58% acima da média das quatro semanas anteriores.
Quem mais subiu antes foi quem mais caiu
A maior baixa foi do TG Ativo Real (TGAR11), de 22,4%, para R$ 40,32. Entre 2 de outubro, antes do primeiro turno, e 23 de outubro, a cota tinha subido 23,1%; o IFIX, 5,8%.
O desenho se repete no VBI Prime Properties (PVBI11), que caiu 21,1% depois de subir 18,0%, e no JS Real Estate (JSRE11), que caiu 18,4% depois de subir 15,0%. Não há documento que explique o movimento: os dois só publicaram o aviso de rendimento, igual ao de setembro.
Os rendimentos que encolheram
A maior parte da queda do TGAR11 (17,0%) veio na segunda. Só na sexta o fundo, com patrimônio de R$ 2,5 bilhões, anunciou rendimento de R$ 0,46 por cota, 34,9% abaixo da média dos três meses anteriores. O aviso não diz o motivo; no relatório de agosto, a gestora já falava em “postura prudente” na distribuição. No ano, a cota cai 56,6%.
O HSI Logística (HSLG11) reduziu o guidance, a estimativa de rendimento do gestor, de R$ 0,74 a R$ 0,76 para R$ 0,60 a R$ 0,65 por cota. Segundo o fato relevante (comunicado que o fundo é obrigado a publicar quando algo pode mexer com o preço da cota), a inquilina Casas Bahia, em recuperação judicial, atrasou um aluguel.
Vendas de R$ 1,1 bilhão e uma compra
O Zagros Renda Imobiliária (GGRC11) assinou compromisso de venda de dez imóveis por R$ 530 milhões, 13,9% do patrimônio, com lucro estimado de R$ 0,22 por cota. O Vinci Shopping Centers (VISC11) vendeu participações em sete shoppings por R$ 477,4 milhões, 14,3% do patrimônio. O Alianza Trust (ALZR11) se comprometeu a vender um imóvel à Coca-Cola FEMSA por R$ 140 milhões.
Já o XP Malls (XPML11) concluiu a compra de 60% do São Bernardo Plaza Shopping, que era da Allos. Segundo o fato relevante, 30% do preço será pago em até 24 meses, e a gestora estima que o shopping some cerca de R$ 0,48 por cota ao resultado em 12 meses.
Reavaliação e renúncia
O BTG Pactual You Inc. (BTYU11) informou queda de 30,6% no patrimônio depois de reavaliar a carteira. Segundo o fato relevante, pesaram obras, vendas e a situação financeira da incorporadora.
No Macam Shopping (BLUE11), a administradora, a corretora Master, em liquidação extrajudicial, renunciou. O fato relevante cita um processo judicial movido por cotistas e uma denúncia deles à CVM.
Em perspectiva
Na série do IFIX, só duas semanas foram piores, ambas em março de 2020: a encerrada em 13/03 (−8,9%) e a encerrada em 20/03 (−15,7%). O Medo e Ganância do Kartac, que vai de 0 a 100, caiu de 66,9 para 12,8, a maior queda semanal desde o início da série, em 2018.
O que olhar na próxima semana
- Segunda, 2, é feriado de Finados, sem pregão;
- o Copom anuncia a Selic, hoje em 13,75% ao ano, na quarta, 4, depois das 18h30, segundo o Valor Investe;
- as cotas do VCJR11, do RBRR11 e do RPRI11, fundos de CRI (título de dívida lastreado em imóveis) que os cotistas aprovaram liquidar, com entrega de cotas do PCIP11, ficam bloqueadas a partir do fim do pregão de quinta, 5;
- o GGRC11 prevê fechar a venda dos dez imóveis até sexta, 6.